sábado, 15 de julho de 2017

Orgulho, preconceito e contratos


Tem quem diga que esse romance da Jane Austen, publicado em 1813, é apenas um livro para mulheres se deleitarem com histórias de amor, um chick lit. Mero engano. "Orgulho e preconceito" conta a história de algumas famílias em algumas localidades da Inglaterra do século XIX, especificamente de Elizabeth Bennet: "uma menina à frente do seu tempo". Ela lembra muito Jane Austen: sem muitos atrativos externos, beleza, e observadora do meio social em que vivia.

Mais que relatar o sonho das irmãs de Bennet e de sua mãe em que essas se casassem, Jane Austen nos mostra alguns detalhes incluídos na ideia e na realização do casamento. Primeiro, as meninas Bennet não herdariam a propriedade onde viviam com seus pais, Mr. e Mrs. Bennet, por serem mulheres. A mesma ficaria na posse de um parente próximo, Mr. Collins, e a única forma de herdá-la seria uma das meninas casarem com ele. Caso contrário, após o falecimento do pai, elas e a mãe dependeriam da benevolência de Mr. Collins em lhes permitir que permanecessem na casa ou de alguém que as abrigasse.

Segundo, o casamento, quando citado, é seguido pela realização de um contrato.

Terceiro, é interessante observar como o costume de manter o sobrenome do marido se mantém até hoje, mais de 200 anos depois. Mrs. Hurst, Mrs. Bennet, Mrs. Philips, Mrs. Lucas. Quem são?

Quarto, para entender como funcionavam os casamentos na época, basta observar a fala da, até então, Miss Lucas sobre o seu: estava passando da idade de casar, não tinha escolha, seria com a pessoa que lhe fez a oferta. Ela não poderia pensar em se casar por amor como Lizzie desejava.

O preconceito é perceptível no momento em que Mr. Darcy chega em Meryton. Muito em breve todos estariam falando sobre sua aparência, suas atitudes rudes, não cordiais - como era socialmente obrigatório para ter boas relações, e Lizzie não deixa de ter, como todos, essa primeira impressão de que Mr. Darcy é orgulho e egoísta. Parte do comportamento que ele demonstra vem da admiração automática que ele possui, vinda da sua riqueza. Eis que ele encontra Elizabeth, contrariando toda essa aceitação e adoração automática.

O orgulho de Darcy, como disse, vem dessa confiança nos seus atrativos e parte desse é apenas um engano por conta da sua falta de habilidades sociais, que dão a impressão de ser orgulho e o mantém no seu silêncio constante. Carrancudo e quieto.

Para entender um pouco mais, existem dois bons vídeos sobre: casa do saber - clássicos para entender o mundo atual e ler antes de morrer - orgulho e preconceito.

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