segunda-feira, 18 de maio de 2015

As Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis

Livro: As Crônicas de Nárnia, Volume Único | Autor: C. S. Lewis | Editora: WMF Martins Fontes

Duas observações importantes: 1- Neste volume único dos livros sobre Nárnia, eles estão organizados na ordem cronológica da história
2-  Isto são comentários dos livros, e não seguem uma só forma; há os que apenas resumi e outros que gostei bastante e tiveram opiniões mais detalhadas. =)

O sobrinho do mago

Um dos pontos que mais me chamou a atenção antes de começar a ler As Crônicas de Nárnia, é que o C. S. Lewis era amigo do J. R. R. Tolkien. Ambos criaram histórias fantásticas, e mesmo que as do Lewis tenham seu toque de história infantil e as do Tolkien sejam muito detalhadas, a genialidade de ter criado algo mágico, e no caso do Tolkien toda a Terra Média, tem seu enorme significado para os leitores.
No Volume Único diz que a primeira história criada foi "O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa", e que a ordem dos livros dentro deste volume é de acordo com a preferência de C. S. Lewis. Porém, contudo, todavia, como a grande maioria já assistiu o filme deste livro que dizem ser o primeiro a ser feito, lá Nárnia já existe, enquanto que em "O sobrinho do mago" ela está sendo criada. "O sobrinho do mago" foi publicado originalmente em 1955, enquanto que "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa" possui data de publicação de 1950 (isso consta nos dados dessa edição).

O sobrinho e o mago tem como personagens principais o tio André; seu sobrinho Digory; a vizinha deles, Polly; a feiticeira de Charn e o leão Aslam. Se passa em Londres, e começa com o encontro entre Polly e Digory, que se estranham de início mas logo estão se aventurando. Digory possui um tio, com o qual ele e sua mãe estão morando devido a doença dela, e esse, sempre muito esquisito, possui no sótão algo que ninguém tem acesso. Querendo ver o que tinha em uma casa abandonada próxima, as crianças acaba parando no sótão da casa do tio de Digory, o tio André. Lá encontram uns anéis em cima da mesa, e o tio todo esquisito. Os anéis foram feitos de um pó vindo de uma terra mágica, ou, como diz André, de outro mundo mesmo, não de outra galáxia porque ainda está no nosso mundo, mas de outro mundo totalmente diferente.

Conta ele que recebeu uma caixa da sua madrinha, quando ela estava prestes a morrer, e a recomendação de queimá-la logo após a morte dela. A caixa vinha de Atlântida, e ele demorou um certo tempo até abri-la. Quando abriu se deparou com esse pó "fininho e seco", que serviu de matéria-prima para os anéis. Esse que realmente funcionavam e levavam a um outro lugar.
Para não ocorrer spoilers, nem contar demais, já que a história é breve (não chega a cem páginas), resumidamente, o "outro mundo" existe mesmo, mas será ele logo de cara o mundo de Nárnia? Será que nesse outro mundo existe apenas Nárnia? E como já disse, é nesse livro que ela vai surgir, mas em um momento exato da história. E uma das partes mais fortes é justamente o momento da criação, junto à aparição de Aslam pela primeira vez.

De início não foi possível fazer uma associação entre "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa" e "O sobrinho do mago", o que já no final do livro isso ficou mais claro. Porém, ainda tem detalhes nessa primeira história que podem ter ligação com detalhes do próximo (que é o do guarda-roupa), um exemplo é o poste que aparece no filme "As Crônicas de Nárnia: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa". Então só lendo mesmo para saber. É de fácil leitura, e uma história que não deixa espaço para tédio e procrastinação devido a forma como foi escrita. Um ponto positivo é que os filmes (pelo menos até onde vi, apenas parte deles) mantém a força dos passos de Aslam, ou seja, a essência.

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"Pois o que você ouve e vê depende do lugar em que se coloca, como depende também de quem você é. [...] quando a gente quer se fazer de tolo, quase sempre consegue." (p. 69)
"Todos conquistam o que desejam, mas nem sempre se satisfazem com isso." (p. 92)
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O leão, a feiticeira e o guarda-roupa

Como já conhecemos de tanto o filme passar na televisão, a história se passa com quatros irmãos: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia, em uma época de guerra. Eles tiveram que sair de Londres por conta de ataques aéreos. Assim, são levados para a casa de um professor, localizada no campo e distante da linha de ferro e da agência de correio (três quilômetros a mais próxima).
Certo dia estava chovendo e os quatro, tendo que ficar dentro da casa, decidem explorá-la. É dessa forma que Lúcia acaba entrando no quarto onde está o guarda-roupa (que leva ao tal mundo mágico). Lá, logo que chega encontra o fauno Sr. Tumnus, e gostaria de chamar a atenção que a descrição dele no livro é exatamente como a do filme! (até onde lembro do filme, porque tem um tempinho que foi visto). O cachecol vermelho, o lenço, e tudo mais. O fauno Tumnus fica sentido, pois revela a ela que seu dever caso encontrasse um filho de Adão ou uma filha de Eva era levá-lo(a) à Feiticeira Branca, atual rainha desse mundo: Nárnia.

Lúcia volta correndo, achando que passou muito tempo pois na terra desconhecida já estava anoitecendo, mas não se passou mais que pouquíssimos segundos enquanto esteve no guarda-roupa. A menina tenta dizer que é um guarda-roupa mágico, mas não acreditam nela. Algum tempo depois vem mais um dia de chuva, e Lúcia decide entrar no guarda-roupa, de novo e Edmundo à vê, entando logo atrás. Lá ele encontra a Feiticeira, que o engana e convence a levar os outros irmãos para lá, prometendo torná-lo rei (o que, como sabemos, não acontece), enquanto Lúcia está com o Sr. Tumnus. Ele não diz que encontrei a Feiticeira em momento algum.
Observação importante: aquele doce aparentemente delicioso que a feiticeira oferece à Edmundo no filme chama-se Manjar Turco
Durante o livro há várias referências ao cristianismo. No vídeo que a Tati Feltrin fez sobre o mesmo livro ela fala que o Aslam é como Jesus. Sendo assim, há referências óbvias, como quando o Castor fala que Aslam vai voltar para salvá-los. E, também, a Magia Profunda, que está escrita na pedra onde Aslam é sacrificado.
Bom, em meio a toda a história há a tal profecia: 4 filhos, 2 de Adão e 2 de Eva vão acabar com o reinado da Feiticeira, e assumir o trono de Cair Paravel.

De início, é isso que a história fala, mas como disse a Tati Feltrin, confirmo que é uma história para criancinhas, não dá para esperar grandes momentos e é uma linguagem bem infantil mesmo, a forma como C. S. Lewis escreveu também. Para ler com a clareza sobre ser uma história infantil, ele é bom sim. Mas até agora o primeiro foi o melhor.

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"Mas se você sabe o que é isso, se já passou a noite toda acordado e chorou até acabarem as lágrimas... Então sabe que, no fim, desce sobre a gente uma grande calma. Chegamos até a ter a sensação de que nada mais nos poderá acontecer." (p. 173)
"Quando os pés estão corretos, todo o resto nos acompanha." (p. 178)
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O cavalo e seu menino

Shasta: menino criado pelo calormano Arriche, ao Sul. Certo dia chega um homem, mais especificamente um tarcaã, interessado em comprar o garoto. Arriche não concorda de início mas o tarcaã lembra que ele já lucrou bastante com o garoto, e isso era o que mais importava. Assim, o pai adotivo de Shasta dá sua proposta, e enquanto eles negociam Shasta se retira "de fininho". Descobrindo que o cavalo do estrangeiro (chamado Brirri-rini-brini-ruri-rá, mais a frente conhecido como Bri) sabia falar, suas dúvidas são respondidas: o tratamento que receberia se fosse com o tarcaã seria pior que o que já recebia com o calormano. Assim, programam de fugir.

Ao longo do caminho, eles encontram Aravis e seu cavalo Huin. A menina está fugindo de um casamento arranjado pelo seu pai. Assim, os quatro seguem a caminho de Nárnia, ambos os cavalos falantes, de Nárnia.

Chegando em Tashbaan, entram na cidade disfarçados, mas Shasta acaba sendo confundido com o príncipe Corin e levado. Os príncipes de Nárnia estavam no local e o príncipe de Tashbaan, Rabadash, filho do Tisroc ("que ele viva para sempre"), pretendia a todo custo casar-se com a princesa narniana Susana. Porém, ela não aceita, e os da terra de Nárnia voltam à mesma. Rabadash prepara um plano, com o consentimento de que, se morrer, seu pai possui mais filhos para assumir o trono e que está indo sem a permissão e aparentemente sem ele saber, planeja invadir Anvar, Arquelância e Nárnia, para tomar a princesa.
Enquanto isso, Aravis acaba encontrando uma amiga que está casada com um rico, e acaba em um castelo. A amiga dela ajuda na sua fuga; Shasta consegue fugir, assim que Corin retorna e ocupa o lugar onde seu sósia estava; Bri e Huin são levados para fora da cidade a mando da amiga de Aravis, a pedido da própria Aravis, no momento em que se encontram.

Assim, todos se reúnem onde marcaram, nos túmulos, e seguem pelo deserto, até chegar a Anvar. Lá Shasta descobre sua origem, e... lendo para saber.

Bom, basicamente é isso que se passa no início da história. De um todo, ela foi interessante. Os personagens são muito simpáticos, Shasta desde o começo. Parece que possui uma atração por histórias onde os personagens sofrem, e conseguem melhorar depois, quando isso se escreve de uma forma onde se mostre real.
Ao longo dela pode-se perceber a nobreza dos cavalos Bri e Huin, e a amizade enter Corin e Shasta (mais a frente chamado de Cor, quem ler saberá o porquê).
Mais uma vez pode-se perceber indicadores de comparação enter Aslam e Jesus, como nesta:
"- Bri, meu pobre, meu orgulhoso e assustado cavalo, chegue perto de mim. Mais perto, filho. Não ouse não ousar. Toque-me. Aqui estão as minhas patas, aqui está a minha cauda, aqui estão as minhas suíças. Sou um verdadeiro animal."
Esta lembrou quando Jesus mostrou suas chagas a quem não acreditou que ele ressuscitou, e toda aquela historinha. E também quando fala "sou um verdadeiro animal", pude comparar ao fato de Jesus se mostrar homem, antes de filho de Deus, se igualando a nós, e assim, mostrando que podemos chegar a ser como ele.

***
"[...] pois, quando se está com medo, o melhor é olhar para o perigo e ter por trás algo firme em que se possa confiar." (p. 230)
"Tinha muito em que pensar, é claro, mas pensar sozinho não faz o tempo andar mais depressa." (p. 231)
"Também sindo como Bri que não posso mais. Mas quando cavalos levam humanos nas costas não são muitas vezes obrigados a continuar, mesmo não aguentando mais? E não descobrem no fim que ainda eram capazes de suportar mais um pouco? Pois então, será que não podemos fazer uma forcinha, agora que estamos livres?" (p. 251)
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Príncipe Caspian

A história de Caspian X começa quando os Susana, Pedro, Lúcia e Edmundo, que já haviam sido reis e rainhas de Nárnia no ano anterior (isso no nosso tempo), estão na estação de trem rumo à escola quando começam a se sentirem puxados, sem saber quem está puxando/beliscando quem. Quando percebem, no meio da agitação deles, já estão em uma praia, a beira de uma enorme floresta.

Começam a surgir as dúvidas, refrescam-se no mar e Edmundo propõe que é melhor explorarem a mata, assim, vão floresta adentro até encontrarem macieiras e as ruínas de um castelo. Surge, então, as semelhanças e as dúvidas se este era o castelo de Cair Paravel, onde os quatro reinaram em tempos passados.

Da foz do rio surge um barco, com dois homens e uma criatura, que diziam querer soltar junto aos fantasmas. A boa mira de Susana acerta aos homens, a ponto de assustá-los apenas, mas acaba acertando um e o outro foge para a floresta. Buscam a criatura, amarram ela e daí começam a entender o que se passa e por que foram levados até ali. Nárnia estava sendo governada por Miraz, o regente do príncipe Caspian X, filho de Caspian I, este um telmarino que lutou contra os seres que existiam em Nárnia (como faunos, sátiros, anões, gigantes) e fez ali seu reino.

***
"- Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?" (p. 349)
"De tanto sofrer e odiar ficou azedo por dentro." (p. 374)
"- Muito bem! - replicou Aslam. - Se dissesse que tinha a certeza, seria prova de que não estava apto a reinar." (p. 389)
***

domingo, 26 de abril de 2015

Ruas e praias

Foi a mesma noite.
Em toda as esquinas
as tramas, as fascinas
foi naquela mesma noite
na mesma que agora inicia sua dança
na mesma que chamou a lua para, hoje, lhe fazerem companhia

Foi a mesma noite
que iluminou a janela dos amantes
que clareou as páginas tão preenchidas daquele ser humano que lia
que esconde na bruma as suas lágrimas

Foi a mesma noite
que permitiu ver aquele doce da sua infância
que permitiu acordar às cinco para apreciar histórias
estranhas vitórias, embaçado futuro
fugir com pensamentos
estar presente com pensamentos
presa, acorrentada, à eles
na realidade conflitante

Foi a mesma noite
que iluminou aquela praia
onde estávamos eu e você
onde estavam todos aqueles que um dia foram
que são
mais que presenças, são ausência
que faz falta e te adoram
com tamanha intensidade
que tem respeito por ti

Entre ruas e praias
ela sempre esteve ali
ela sempre foi a mesma
ela nunca deixou de existir
entre versos e areia
entre calçadas e letras

Foi esse mesmo período escuro
que iluminou a rua
onde nos topamos
e nos encontramos, virado as esquinas
vagando guiados pelos postes
pelas lamparinas
pela luz que permitia enxergar os paralelepípedos
que auxiliava na percepção dos rostos das pessoas
até perceber que espíritos junto à ti vagavam
que espíritos lhe faziam companhia
porque companhia humana era um excesso
era demais, era um prêmio que sua mortalidade não conseguiria alcançar

e, quando se deu conta
estava à vagar como eles e só assim pode perceber
o quanto vazia a rua sempre estivera
quantas letras ali faltaram
quanto sentido se perdeu
quão sem guia

Então
me afundei no meu oceano
me escondi em meus invisíveis casacos
e encarei o mundo de frestas
encarei
e mergulhei na ânsia
de retornar àquela rua
de retornar àquela areia
naquela casa inventada
naquela história inventada
onde, um dia, ela pode ser
apenas
ela.

domingo, 5 de abril de 2015

Preenchimento

Então a gente tenta pela milésima vez escrever sobre aquilo que parece não ter coerência, sentido, ou o mínimo de senso racional. Ou, simplesmente, não é assunto a ser debatido. E, pela milésima vez, tenta encontrar nos pedaços retalhados a essência de alguém que foi apenas uma porta fechada, uma lágrima escorrida, uma tristeza consumidora de todo e qualquer tecido; não havia órgão que resistisse. As mesmas coisas ainda a irritam. As mesmas histórias ainda persistem e sem previsão de alterarem bruscamente como ela um dia imaginou que mudariam como a mais incrível metáfora que se possa imaginar, metamorfose inexistente na realidade. As lágrimas ainda rolam, talvez mais por dentro que por fora. Ela teve que aprender a exteriorizá-las para não implodir. Mas aquelas feridas gigantes tiveram forçadamente que serem reduzidas ou tampadas para que a vida pudesse dar sequência. Ela precisou de menos desabafos, mais entendimento, mais ignorar aquilo que não tinha solução em vista e simplesmente aprender. Aprender tantas coisas quanto não havia aprendido em tempos, a conviver com essa vazia existência que os seres humanos possuem, quer queira, quer não. Perceber a tela em branco que era e aprender a decidir, escolher, conhecer e saber o que poderia preencher essa sua tela em branco, esse seu livro não preenchido, com o mínimo de cor possível, mesmo que elas fossem preto e branco ou sépia. Sem distinção, desde que fosse uma cor, um algo para chamar de seu, um motivo próprio pelo qual lutar nos dias em que tudo o que deseja é cair em sono profundo e só acordar quando os cientistas descobrirem a essência da existência e libertarem ela de sua jaula para a encontrar, sem lembrar que - dizem - ela está em um único lugar primordialmente e nas coisas que preenche aquelas folhas em branco.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Pontos

Uma bússola
Só quero uma
Para encontra
Em papéis rabiscados
Mais que a ausência de luz
do mesmo poço que insiste em tentar
trazer à tona
o vazio, a ausência
a infelicidade da tristeza
de não ser alegre
na incompreensão do estar
do sentir, do fazer
no conflito entre existir
enquanto estrelas iluminam
sem ao menos iluminar
e descer
          escada
                 abaixo
enquanto almeja

segunda-feira, 9 de março de 2015

Casa

Vivo de versos inacabados
vivemos de lembranças
de notas não bem tocadas
no limite entre a alegria
e a tristeza
na simplicidade de palavras tão carregadas
tão cheias de tudo
e ao mesmo tempo vazias de um nada
existimos na presença
de amores incompletos de você
e você incompleta de amor
no meio de tanto vazio

sem desculpas

nenhuma desculpa lhe cabe

recebe a responsabilidade da vida ser toda sua
completamente puramente sua
nenhum caos, nenhuma alegria é advinda
que não seja pela permissão que tu deste
a não ser quando invade
e quebra tudo
deixando apenas uma casa abandonada
para você cuidar

no meio do mar
no barulho das águas a se movimentar
uma casa em falso
um teto flutuando
e a brisa fresca tocando na pele
da criança confusa que foste um dia
do ser que passou pelo tempo e que se tornou o que és hoje

porém, sem olhar para o passado, apenas o instante
o agora, apesar de formado por lembranças
pelos erros, pelas decepções
seu, todo seu
todas as falas, todos os instantes à sós
principalmente todos os momentos de perceber e aceitar fatos e pessoas
de desligar deles suas quedas
não lhes pertencem
estão contidas somente
em ti
esse papel na tal peça
é totalmente teu

só não te force a carregar com sorrisos
mais do que pode carregar
não forces nada
mais do que permite
os sorrisos e as tristezas
também são totalmente seus
e dos poucos que tiveram coragem suficiente
para compartilhar dos mesmos
contigo

domingo, 1 de março de 2015

seu universo

fonte: tumblr
Seu mundo. Era cheio de ansiedades e expectativas que na maioria das vezes foram jogadas no lixo como sacolas plásticas. Poderiam ser reutilizadas, mas irão ficar entulhadas na memória de quem um dia as teve, e as viu partir sem serem realizadas. Um universo com mais confusões que qualquer trama já criada por outro ser confuso. Retraído, tímido, extrovertido por fora enquanto se procura como essência por dentro. Repleto de medos: de errar, de não ser bem compreendido ou de simplesmente não ser aceito. Ele vivia em conflito com o mundo além do seu, onde o seu jeito não coincidia com os dos demais, mas isso era bom, pois o que era de sua admiração, era somente seu. E ruim, porque a solidão também era toda sua. Ele vivia, contudo, vivia com medo de escrever e sair ruim. E sempre via algo ruim exposto em um papel. As conjunções repetidas, as mesmas palavras utilizadas inúmeras vezes seguidas, que falta de vocabulário.

Ao mesmo tempo, se olhava no espelho e via. Enxergava que ali dentro havia um cosmo que se inspirava em imagens e fazia delas um algo a mais. Que sofria com si e por si, muitas vezes só, tentando encontrar sentido nas pequenas coisas que encontrava na lixeira da mente da maioria. Visualizava os pedaços que lhe compunham, que foram repostos com uma pele diferente, porque a mesma já não lhe cabia mais. E entendeu que não haviam respostas, haviam ponteiros de relógios em várias partes do mundo que tiquetaqueavam, e que havia um relógio desses para ele encontrar, em uma torre, em algum lugar do planeta onde poderia, pela primeira vez, ver o seu mundo fora de si. Uma rua em que poderia, pelo primeiro instante, sentir que parte do seu pequeno universo estava ali, presente nas pessoas que continham também os seus.

Um dia decidiu tentar desamarrar os laços, desatar os nós, vestir-se de si, calçar os sapatos e ir, mesmo se preciso fosse ir só.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Recordo

Nesse frio me deito
Me recordo de viver
Aqueço-me de histórias
Breves, não tantas quanto gostaria
De um abraço não dado
Não recebido por um ser humano que insiste em ter paixão
Antes de racionalizar o percebido
Que consiste em ser
Antes de estar contido
Submerso em si, fugindo de dragões
marginalizados
coitados, simbolizados para o baixo
não, não de dragões
de seres humanos
Refugiando-se na dispersa conjuntura
que és
e assim, simplesmente é
mais do que símbolos
mais do que paradigmas
Apenas palavras, olhares, escritos
pensamentos
lançados
em alto mar.