sexta-feira, 22 de abril de 2016

Na escada

na neblina das quatro horas
você gritava de longe
enquanto eu, perdida nos andares
que dava ampla visão para as árvores
não sabia escrever em linhas
com mais de cinco palavras
agora já observo o café cair
na xícara
e esfriar enquanto pela janela
voam minhas nuvens

já é tarde

e tu já foste
embora
e me deixaste em versos
saltando pelas copas
levada pelo vento que agora faz minhas nuvens
voarem

porque pra ser nós
preciso ser eu

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Tecer

O meu copo está pela metade
E aquele som, tão característico
Me faz companhia na madrugada
Onde os versos são curtos
Onde a luz está forte
E me quer vivendo
E não me deixa dormir
E me questiona onde está
A chave que eu perdi
E que em algum momento esteve no meu bolso
O espelho diz estar aqui
Em algum lugar
Mas agora me deixou vagando
Divagando como um fantoche
Que puxa suas cordinhas de senhor dos brinquedos
Com seu rosto costurado
Mas crê não saber andar
E suas pernas bambeiam
Seu rosto escorre
Em fios que tecem o seu leito
E escrevem seu nome
Em uma página em branco

Des

nessa sua luta constante
que rebate aí dentro
e bate lá fora
e escorre aqui, agora
lhe atingindo de um canhão
entre tantos canhões espalhados no planeta
desperdiçando o tempo
deixando a enchente levar
enquanto todos adormeciam
e o som da televisão não mais se manifestava
e o estalar da dor de cabeça se fazia presente sozinho
punha para tocar a música que mais acalma
e inquieta (com) a poesia
sentia em sua face a luz que invadia as frestas da janela
visualizando a si e ao passado que hoje foi bom
o passado tão presente onde a mesma música a fazia sorrir
e chora de emoção por lembrar
que aí dentro ainda existe